
Memórias da meia noite
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Nâo me cantem canções da luz do dia Pois o sol é o inimigo dos amantes Ao invés, cantem das sombras e da escuridâo E das «memórias da meia-noite»
PRÓLOGO
Kowloon Maio de 1949
- Tem de parecer um acidente. Consegue arranjar isso?
Era um insulto. Sentia a raiva crescer dentro de si. Isso era pergunta para se fazer a um amador que se contratava na rua. Sentiu-se tentado a responder com sarcasmo: «Oh, sim. Acho que consigo fazer isso. Prefere um acidente dentro de casa? Posso fazer que ela parta o pescoço ao cair de um lance de escadas. 0 bailarino de Marselha. Ou ela podia embebedar-se e morrer afogada na banheira. Aherdeirade Gstaad. Podiatomaruma dose excessiva deheroína. Eliminara três assim. Ou podia adormecer na cama com um cigarro aceso. 0 detective sueco no Hotel da Margem Esquerda de Paris. Ou será que prefere qualquer coisa no exterior? Posso provocar um acidente de trânsito, uma queda de avião ou um desaparecimento no mar.» Mas não disse nada disto, pois na verdade tinha medo do homem que se sentara na sua frente. Ouvira muitas histórias arrepiantes a seu respeito, e tinha razão para acreditar nelas. De forma que tudo o que disse foi - Sim, senhor, posso provocar um acidente. Ninguém irá descobrir. Mas no momento em que dizia estas palavras a ideia passou-lhe pela cabeça: «Ele sabe que eu saberei.» Ficou à espera. Estavam no segundo andar de um edifício da cidade murada de Kowloon, que fora construída em 1840 por um grupo de chineses para se protegerem dos bárbaros britânicos. As muralhas tinham sido derrubadas na Segunda Guerra Mundial, mas havia outras muralhas que afastavam os estranhos: grupos de criminosos, toxicodependentes e violadores que deambulam pelas muitas ruas estreitas Chegaram à Estrada de Mody.
- Жанр
- Триллер
- Язык
- pt
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- Добавлена